segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sentimentalismo Electrónico

Ao longo dos anos desenvolvi sem querer uma actividade bastante reconhecida, principalmente entre a família, de "Desempanadora de PC's".
Ora é o PC da mãe, ou o do pai, ou o do primo, ou o do colega, ou o do amigo, tenho sempre pelo menos um computador lá em casa para "desempanar". Já perdi a conta ao número de discos que formatei, ao número de Windows que instalei, ou mesmo ao número de vezes que vi a mensagem "Prepare-se para entrar pela primeira vez (só podem estar a gozar) no Windows 98".

Gostava um dia de começar a cobrar este favores, ao fim deste tempo todo, ora deixa cá ver, a 20€ a hora....uuuuiiiiii! Já dava para comprar um "desempanador automático"! Mas não me chateia ser de borla, afinal são família e amigos. O que me chateia é serem quase sempre PC's da idade da pedra, que mesmo depois de desempanados, pouco mais utilidade poderão ter que um pisa-papéis!
Por exemplo, neste preciso momento tenho lá 2 PC's de terceiros à espera de "desempanagem", um deles tem 3 teclas que não funcionam (dá imenso jeito para inserir chaves de software), o outro já é cliente habitual da casa, será para aí a 10ª vez que lá vai, e quando chega pede "o costume".
Ok, podem dizer que estou a ser insensível, se calhar são peças com valor sentimental para os donos, mas vamos lá ver.....há que aceitar o facto de que o tempo deles chegou.

Não me estou a baldar à nobre tarefa que me confiam, mas no meio disto tudo há meses infinitos que o meu próprio PC espera que eu tenha tempo para o desempanar.
Desta vez decidi arranjar o meu primeiro e já há algum tempo que ando dedicada ao meu monstro ACER, como lhe chamo carinhosamente, dado que chamar-lhe portátil é o mesmo que chamar discreto ao José Castelo Branco. Já o formatei 500 vezes, já lhe tentei instalar o Windows 7, o XP, o 98, o Ubuntu, o Caixa Mágica, sei lá! O facto é que ele desistiu de viver, e não deixa que nenhum sistema operativo o convença do contrário! E apesar de ele não ser ainda da idade da pedra, ter ainda muito para dar, ter um ecrã que nunca mais vou encontrar igual num portátil e ter um valor sentimental acrescido para o meu gato mais novo que gosta de se deitar em cima dele, já ando a ver preços, a pensar na troca inevitável.

Na semana passada, no trabalho, avariou-se um PC do qual sou responsável desde os tempos do emprego anterior. Foi-se a motherboard. Pedi um novo. Não posso negar que depois de anos e anos a tomar conta dele, a instalá-lo, configurá-lo, a programar nele, me custou muito ter de aceitar a sua ida. Era uma porcaria de um monte de placas, mas depositei ali muitas horas de trabalho, disse-lhe muitas vezes "Sou muita esperta, não sou?".
Custou-me ver a nova caixa no lugar da anterior, reluzente nas suas linhas modernas, custou-me ligá-lo e não ver os erros do costume, sou uma sentimental (já o tinha dito aqui) e até um PC me faz lembrar de episódios importantes da minha vida, por isso compreendo a aflição dos meus "clientes" ao verem os seus queridos "pisa-papéis" empanados.

Mas há algo que é importante não esquecer quando nos começamos a apegar a estes "bichos".
O meu chefe perguntou-me como é que isto acontece, porque é que se avariam os computadores, eu respondi-lhe: "É electrónica! Acontece!"

1 comentário:

Afonso Loureiro disse...

Faz-me lembrar uns colegas que insistem que o computador com mais de dez anos que está sempre a falhar não precisa de ser trocado. Basta ligá-lo menos vezes...