segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A injustiça e o porquê

Disse no outro dia a um amigo que ser pai não nos muda, continuamos a ser nós próprios, com os mesmos defeitos e qualidades. O que muda é apenas a forma como olhamos em frente. E a quantidade de vezes também.
Se antes não dava muito importância ao amanhã, hoje em dia dou por mim muitas vezes a imaginar cenários e se há coisa que me assusta é o dia em que vou ter de explicar aos meus putos, no topo da sua ingenuidade e alegria sem fim, que a vida é muito injusta.
Por mais que nos esforcemos por protegê-los, vai acontecer, vai haver uma ocasião em que não vamos poder esconder factos e disfarçar sorrisos.
Ora, se nem eu consigo perceber porque raio a vida é assim, como é que é suposto explicar a alguém?
Como é que se explica a necessidade de se continuar a ser bom e honesto, não havendo a mínima garantia de receber os dividendos disso mais tarde, tal é a aleatoriedade dos acontecimentos?

Felizmente ainda são muito novos e desta vez ainda pude descansar sem necessidade de explorar os porquês. Perdi a Mia hoje, numa sequência de complicações que não adianta contar. Só interessa dizer que se havia bicho que merecia viver era ela. E que a vida é muito injusta. E que não consigo explicar porquê.

1 comentário:

Afonso Loureiro disse...

Parece-me que a Mia não nasceu com muita sorte...