quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um blazer e um carrapito

Separo muito bem o meu "eu" pessoal do meu "eu" profissional. Tenho (muito mais que) 2 mails, 2 telefones, 2 modos de falar e 2 looks.

À hora de almoço costumo usar o meu "eu" pessoal. Cabelo solto, t-shirt barata, óculos de sol e ténis. Tudo características que costumam  ser escondidas pelo "eu" profissional: o cabelo preso por um elástico, a t-shirt debaixo de uma camisa ou um casaco, os óculos ficam no carro e os ténis, como são de marca, passam. Ocasionalmente, mais no Verão, até troco por umas sabrinas versus a sandalinha do "eu" pessoal.

É portanto comum cruzar-me com colegas de trabalho à hora de almoço ou ao fim de semana que nem sequer olham para mim duas vezes, só os mais atentos. E é tambem comum ser completamente ignorada nas lojas, serviços, etc.

Portanto hoje achei estranho quando em 2 lojas diferentes me deram tamanha atenção quando andava de volta dos calções de homem, e houve até um menino que me esteve a explicar a "tendência" deste Verão e a incompatibilidade com as bermudas, enquanto eu lhe explicava a "tendência" dos calções curtos não favorecerem os "gordinhos". Fui também assediada o dobro das vezes pelos vendedores de cartões de crédito dos quiosques no corredor do centro comercial.

Só percebi o porquê quando entrei no elevador e olhei para o espelho. Tinha-me esquecido de tirar o disfarce do "eu" profissional. Tão simples como um carrapito e um blazer. O resto era eu, calças de ganga, t-shirt e os Nike Shox.



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