terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Temos de falar

Querido Serviço de Finanças,
temos de falar!

Eu sei que é malvadez ter esta conversa em época festiva, mas a verdade é que a situação chegou a um ponto em que não posso esperar mais. Tenho de te dizer como me sinto.
Bem sei da tua dedicação e esforço na nossa relação, basta ver a quantidade de cartas que me tens escrito nos ultimos meses. É com carinho e compreensão que as leio, uma após outra, e por vezes até chego a deixar escapar uma lágrima, tal é a emoção. Não sei se pela forma como escreves ou apenas pela persistência, consegues tocar bem no fundo do meu ser, como mais ninguém, e fazer-me exaltar nos meus dias mais calmos.
No entanto, Serviço, tens de saber que este ano...casei, aliás, deves ter recebido notícias da Conservatória. Não sei ainda como reagiste a essa notícia, mas receio que toda esta correspondência que me envias possa prejudicar a minha actual relação.
Afinal o que é que o Homem-Que-Não-Assina vai pensar? Sou casada com ele e tu escreves-me muito mais vezes. Cai mal, percebes? Podes argumentar que é ele que é pouco romantico, ok, eu comprendo que estejas magoado, mas na verdade a tua insistência faz-me sentir perseguida.
É por esta razão que te peço, deixa-me seguir em frente, não me escrevas mais, se possível até, esquece que eu existo.

Fica bem, Serviço de Finanças, oxalá encontres alguém que te compreenda melhor que eu.

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