terça-feira, 25 de outubro de 2011

Post Agri-Doce

Usamos e abusamos de palavras e chavões pela vida fora, mas só de vez em quando nos apercebemos realmente do valor de cada um(a). Muitas vezes se passa uma vida inteira dando uso a expressões que nunca se chegam a sentir na pele. E não há mal nenhum nisso, cada um tem as suas experiências e é isso que nos torna diferentes uns dos outros.

Este ano tem sido cansativo para mim, no sentido em que já aprendi o significado real de demasiadas palavras. Tive anos tão inúteis em aprendizagem, mas este está a ser realmente produtivo, talvez um pouco demais. Não sei se consigo reter tanto saber em tão pouco tempo.

Em mais uma visita ao veterinário, para acompanhar o estado do idoso lá de casa, deu-se uma conversa já habitual de 15 em 15 dias:
Vet - "Então como vai o Lucas?"
Eu - "Vai muito bem, cheio de apetite, muito chato de volta de nós, muito activo!"
Vet sorrindo - "Esse gato vai mesmo contra as leis da medicina, vamos lá ver como estão as análises."
(...)
Vet - "Os valores baixaram mais um bocadinho - (ou a variante "Os valores estão iguais") - estão muito abaixo dos valores normais, é continuar com a medicação, para lhe dar algum conforto, e aproveitar cada dia. Com os valores dele, normalmente ele já não estaria aqui, está a esgotar as reservas...
Eu - Pois...nós fazemos tudo certinho, todos os dias à noite. Damos o soro e o comprimido...
Vet - Pronto, então até daqui a 15 dias, se não acontecer algo entretanto.

E estas palavras ressoam cá dentro, dia após dia, e vão-se esbatendo ao longo dos 15 dias, confrontadas com o que os meus olhos veêm, confrontadas com um gato que continua a fazer asneiras, que continua a pedir colo, que continua mais teimoso que eu, confrontadas com a minha esperança inútil de melhoras. Felizmente de 15 em 15 dias tenho uma "aula" de reciclagem, para voltar a focar-me.

"Aproveitar cada dia"..."dar conforto"...são algumas das expressões que aprendi este ano, mas a que me tem feito mais impacto é que de facto, independentemente de saber muito bem em que situação estamos, "a esperança é mesmo a última a morrer".

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