quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Portugal - A falir desde 1888

Vivem-se dias em que mesmo os mais desinteressados da política (como eu) se exaltam e tiram as suas próprias conclusões.
Na minha última leitura, os Maias, houve um excerto que me fez parar para confirmar que de facto o texto foi escrito em 1888, quando ainda reinava D. Carlos:

O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que o empréstimo tinha de se realizar «absolutamente». Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma fonte de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministros era esta - «cobrar imposto» e «fazer o empréstimo». E assim havia de continuar...
Carlos não entendia nada de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.
- Num golpezinho muito seguro, e muito directo - disse Cohen sorrindo - Ah, sobre isso, ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da Fazenda!... A bancarrota é inevitável: é como quem faz uma soma...

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