segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Domingo de (muita) chuva

Com um fim de semana todo para mim (sem trabalho e sem Homem-Que-Não-Assina), decidi deitar mãos à minha cozinha, que mais parecia o cenário de um filme alternativo, depois de semanas em que ambos os donos passavam da rua directos ao escritório, com uma breve abertura do frigorífico para tirar pronto-a-comer.
Sábado foi dia de arrumação e limpeza total nos armários (caramba, agora até tenho uma garrafeira!), e domingo foi dia de arrumar o balcão e de festejar a arrumação a fazer bolos e bolinhos, aproveitando para estrear uma forma de queques nova.

Lá fora chovia e trovejava (e choveu e trovejou todo o dia) a potes, os cães alternavam entre a cama e a porta da cozinha, conforme a chuva era mais ou menos forte. Os gatos era só cama mesmo. E eu entretida a fazer massa de bolo, quando descobri que me faltava o gengibre. Saí com o The Red Bimmer, deixando os preparos no fogão, e lá fomos até ao supermercado.
Na estrada, apercebi-me da violência da tempestade, especialmente porque fui apanhada por uma vaga mais forte na volta.
Em boa hora cheguei a casa, pois começava a cair granizo misturado com chuva muito forte e ao entrar percebi que algo não estava bem, porque o Ciro estava em pânico, miando desesperadamente à minha volta.
Na sala, o Lucas dormia profundamente (ser surdo é uma benção), a Niki  estava petrificada dentro do cesto da lenha e o chão estava a começar a alagar. Entrava água pelas janelas e pela porta e ainda eu despia o casaco quando comecei a ouvir barulho na cozinha. Era granizo que entrava pela chaminé, do tamanho de bolas de golfe, e estava a causar o caos no meio dos meus preparos dos bolos.
Tirar as cadeiras do chão, ir buscar panos, subir as cortinas, tirar as coisas do fogão, acalmar o Ciro, sei lá o que fiz primeiro, fiz tudo ao mesmo tempo. Desta parte não tenho fotos, o pânico era tal que não havia tempo.

Lá consegui conter a situação, com uma valente molha a desentupir os ralos das portadas das janelas. Limpei os estragos, acabei os cozinhados, pus a massa no forno e fui aquecer com um chá quente no sofá.


Atribulado que foi o meu domingo, os bolos ficaram um espectaculo e, aventureira, até os deixei a arrefecer debaixo da chaminé. Afinal quantas cargas destas caem por dia?

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