A imagem que temos de nós mesmos é a mais importante de todas.
Como nos mostramos aos outros é uma opção nossa, e eu sempre preferi a honestidade, o mostrar exactamente como sou. Com o decorrer dos anos, a vida adulta e profissional ensinaram-me a não mostrar tudo, apenas e só porque quem vê não usa os mesmos "óculos", o que leva a muitos, demasiados, mal-entendidos e interpretações diversas. Mas no decorrer desse mascarar de como sou para os outros, até que ponto não me influenciei a mim mesma, e não me mudei a mim mesma?
No desporto uso muito a máxima "O corpo acredita no cérebro". Quer isto dizer que se eu repetir um gesto milhentas vezes, por mais desnatural que o sinta ao início, vou acabar por achá-lo familiar. Se eu me convencer que está tudo bem e que estou cheia de força e energia, aguento até ao final de uma tarefa árdua, por mais cansada que esteja, mesmo que o meu corpo já tenha dado sinais de quebra. Tudo isto, com a premissa, claro está, de uma concentração extrema, em que o consciente consegue vencer e dominar o inconsciente.
E este domínio consegue-se exactamente pela repetição dormente, pela imitação irracional, pelo executar automático das tarefas, sem pensar nas causas, consequências ou porquês. Simplesmente fazer, porque é preciso.
Sempre me considerei corajosa, diferente, "normalmente espectacular", mas quando páro para olhar de fora...Raios! Mas então é só isto?
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
segunda-feira, 16 de maio de 2011
5 minutos
Porque é que de uma noite inteira de sono a melhor parte são sempre aqueles 5 minutos que roubamos de manhã?
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
terça-feira, 23 de março de 2010
Sorte no Amor, Azar no Jogo (e no resto)
Diz-me muitas vezes o Homem-Que-Não-Assina que somos azarados e nunca vamos ser ricos porque temos "a outra coisa".Ora, contra isso nada, mas vamos lá ver por exemplo esta semana:
- Domingo: parti os óculos de sol;
- 2ª feira: o ecrã do portátil pifou;
- 3ª feira: os 2 pneus da frente do meu carro desfizeram-se (literalmente) passado uns meros 30 000km;
Ok, é tudo muito bonito e somos muito felizes e tal, mas será que é preciso tanto azar junto para justificar isso?
Não quero provocar os deuses ainda mais nem irritar ninguém mais azarado que eu, mas acho sinceramente que mesmo que fôssemos podres de ricos íamos ser felizes na mesma...a sério!
Já tenho medo de quarta-feira....
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Vamos a isso Valentins
Bem sei que muitos acham que isto do Dia dos Namorados são americanices, que só servem para alimentar o consumismo.
Mas a verdade é que no mundo apressado cheio de horários apertados em que vivemos, começa de facto a ser importante ter datas específicas para celebrar os valores mais básicos, sob o risco de os esquecermos durante anos a fio, até ao ponto em que, por exemplo, já não conhecemos metade dos convidados do casamento de um familiar próximo.
A família no Natal e na Páscoa, a amizade nos dias de aniversário, a alegria e a traquinice no Carnaval e no Halloween, o amor no Dia de S. Valentim, são valores com datas marcadas, que se devem aproveitar, nem que seja porque são mais um motivo para festejar.
Hoje é portanto o dia certo para reflectir sobre o amor, o que temos, o que damos, o que gostávamos de ter e o que queremos dar. E reflectir não é encontrar razões nem porquês, é apenas apreciar o momento e, mais ou menos lamechas, conforme os gostos, é aproveitar a companhia de alguém e mostrar o que se sente.
Por isso, a todos vós, desejo um excelente Dia de S. Valentim, mesmo aos "encalhados", que este seja o dia em que não vos sobre nada por mostrar. ;)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Em Contagem Decrescente
Faltam exactamente 17 dias para o fim do ano, mas mais importante ainda faltam 14 para as minhas férias. Ando cansada, sem paciência e a precisar de espaço. Não se trata de espaço físico, não estou assim tão gorda, mas de espaço mental.
Quando começo a ter de me esforçar demasiado para responder com calma, naturalidade e se possível com um sorriso, mesmo a quem merece, é sinal de que estou esgotada e preciso de recarregar a bateria da simpatia.
Este fim de semana fugi, foi mais ou menos uma fuga forçada, para cumprir obrigações desportivas. A estadia foi num local excelente, não me lembro da ultima vez que fiquei num sítio tão agradável, até gatos carentes de festinhas havia! E melhor ainda, estava entre amigos, muito disparate, muita conversa ao sabor de um copo de vinho.
No entanto, acho que não era bem isto que preciso porque em todo o tempo que lá estive só conseguia pensar que gostava de repetir este fim de semana, mas acompanhada de outra forma, outras pessoas, se calhar só uma. Tive a certeza disto na volta para casa, quando vi este céu. Tão romântico, ali a olhar para o pôr-do-sol, dentro da carrinha, só nós os 8....
domingo, 15 de novembro de 2009
São só ondas
Quando vamos à praia e o sol está quente, demasiado quente, o que fazemos? Vamos embora? Não! Recolhemos debaixo de uma sombra, mas ficamos, a apreciar a vista e à espera de tempo mais ameno.
Quando vamos à água e o primeiro toque é gélido, que até nos faz doer os pés, o que fazemos? Voltamos para trás? Bem...talvez seja o primeiro pensamento, mas não, ficamos lá, habituamo-nos à dor e passado algum tempo até sabe bem.
Quando vem uma onda grande, o que fazemos? Encolhemo-nos amedrontados, de olhos cerrados à espera do impacto? Não, ficamos de pé, peito aberto, e na passagem da onda levantamos os braços e saltamos alto para lhe passar por cima. E no fim, que grande sensação!
Na hora de ir embora, ao voltar para cima, a areia está tão quente que nos queima os pés, e que fazemos? Paramos de andar? Não, andamos mais depressa, para passar a zona quente e chegar a um lugar mais confortável.
A vida é uma praia, há que aproveitar muito bem tudo o que ela nos dá, mesmo que às vezes nos pareça desconfortável ou assustador, porque quem sabe se amanhã ainda vai lá estar.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
2012
Os filmes sobre o fim do mundo são dos melhores para ir ver ao cinema. Há muito que defendo que o cinema, devido ao preço estupidamente alto a que estão os bilhetes, já só vale a pena ser utilizado para ver os filmes com grande efeitos especiais.

Sim, que eu não quero ver tsunamis no plasma, que isso ía-me parecer uma ondazita de 2m, daquelas do Guincho! Não, desastres naturais catastróficos e invasões extra-terrestres massivas são para ver no grande ecrã, com som Dolby Surround e o irritante intervalo a meio de uma cena de um avião a cair a pique!

Todos estes filmes têm características comuns, essenciais a um bom romance familiar de acção e ficção. A que mais gosto de todas é o facto de a acção principal se passar sempre na América, o que me deixa naturalmente mais descansada. Se o mundo quando acaba, começa do outro lado do Atlântico, sempre temos pelo menos 1 dia de sobre-aviso para desbundar à grande (como se não houvesse amanhã!).
De todos os sentimentos que podem surgir durante o visionamento deste tipo de filmes, há um que me assalta sempre e não, não é "O que faria eu se soubesse que o mundo ía acabar?", essa já respondi no último parágrafo. O que acabo sempre por pensar é "Será que as pessoas que eu quero a segurar-me a mão quando o tsunami nos engolir, sabem o quanto gosto delas?".
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Manifesto contra a Racionalidade
Aconselho e subscrevo:
Para quem quiser passar directamente ao manifesto, sem ler o preâmbulo, é só andar para baixo e começar a ler onde diz UM MANIFESTO EM SETE PONTOS.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Incondicional
Há uma idade certa para compreender as mães. Não digo uma idade certa em algarismos, mas certa em termos de quando as conseguimos observar melhor.
Quando somos novos só conseguimos ver as proibições, os castigos, os dramas que nos criam por chegarmos tarde ou não comermos a sopa (ou as ervilhas...).
Vem depois outra idade em que achamos que já sabemos tudo e que as mães viveram noutra época e são incapazes de compreender os problemas da juventude moderna.
E vimos por esses anos fora sempre olhando de lado para uma pessoa que nos parece demasiado perfeita para ser verdade, que nunca comete erros e nos quer impedir de cometer os nossos.
Parece-me a mim que só lhes damos verdadeiro valor quando lhes descobrimos a primeira falha, a primeira mentira, o primeiro erro. Não tem necessariamente de ser um erro ou mentira, mas por exemplo o simples facto de lhes apanharmos uma contradição nas palavras. Nesse preciso momento paramos surpreendidos com a mudança de atitude e perda de perfeição e conseguimos perceber que elas nem sempre nos dizem o que lhes vai lá dentro, mas sim o que acham que nos faz felizes.
E se o que nos faz felizes é comer sopa numa semana e rebuçados na outra a seguir, elas lá estarão em ambas as semanas, dizendo que a sopa é muito boa, mas que os rebuçados é que é fixe!
Obrigado mãe!
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Resoluções de Outono
Em todas as passagens de ano tiramos conclusões sobre o ano que passou e fazemos uma lista de objectivos / directivas que devem reger o ano a seguir.Não me venham cá dizer que não fazem isto, nem que seja inconscientemente fazem pelo menos uma resolução naqueles dias que antecedem a grande noite ou logo nos primeiros dias de Janeiro, tooooda a gente pensa nisso!
Invariavelmente, ao longo do ano, esses objectivos acabam por se diluir na rotina, sendo esquecidos e muitas vezes deixam mesmo de fazer sentido no meio da azáfama de sobreviver ao dia-a-dia.
Como de costume, nesta altura do ano já não faço ideia de quais foram as minhas resoluções para 2009. Mas sendo hoje o primeiro dia de Outono, achei por bem reformular as ideias que me perseguem ultimamente como Resoluções de Outono.
Não as vou partilhar convosco (senão ainda alguém aproveita para discutir política nos comentários), mas digamos que todas elas rodam em torno de uma ideia comum, a Auto-Confiança! Como são "de Outono" e não de um ano inteiro, só tenho de arranjar maneira de as cumprir até ao Natal.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Descomplicar
Nós humanos, temos uma tendência danada para complicar as situações, em especial as que se baseiam nos sentimentos mais simples e básicos, exactamente porque nos parecem demasiado fáceis. Temos a mania que somos seres complexos, que todas as decisões são de vida ou morte, que todo o mundo está nas nossas mãos.
Por isso, quando nos aparece um pequeno dilema sobre as coisas simples da vida, vamos buscar todos os argumentos, assuntos e questões que possam estar relacionados e isto para quê? Apenas para complicar, faz-nos sentir importantes!
Introduzimos tantas variáveis na questão que se torna de facto complicada de resolver, quando o mais lógico seria exactamente o contrário, eliminar todos os factores supérfluos e decidir sobre o essencial.
E já estão vocês a pensar: "Mas de que raio estás a falar, miúda?"
De coisas que me vão cá dentro...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Hallelujah
Há uma música que me persegue ultimamente. Não me importo com a perseguição porque acho a música linda. Cada vez que ligo o rádio, seja em que estação for, aparece-me o "Hallelujah" cantado por esta menina:
Ao pesquisar a música na net, descobri que a versão original é de Leonard Cohen e já tem inúmeras versões de outros artistas.
Uma das versões fez parte da banda sonora do "Shrek", interpretada por Rufus Wainright e é das mais completas.
A letra original é bastante extensa e cada versão escolhe versos diferentes.
A versão da Alexandra Burke é das curtas, com muita pena minha, porque é para mim das melhores que ouvi. Deixo-vos aqui a versão do John Cale e também a letra mais completa que consegui encontrar:
Letra: http://www.stlyrics.com/lyrics/scrubs/hallelujah.htm
Apesar de adorar a música nunca tinha prestado atenção à letra. Pode pensar-se que é uma música religiosa mas é na verdade sobre a jornada espiritual que um homem faz em busca do amor, equiparando a devoção a Deus com o amor por alguém, que se toma muitas vezes por uma conquista mas que só é verdadeiro quando há submissão, quando nos entregamos totalmente, como na religião.
E aqui ficam mais dois excertos que aparecem noutras versões:
You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah
Hallelujah etc
I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth,
I didn't come to fool you
And even though it all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah
Ao pesquisar a música na net, descobri que a versão original é de Leonard Cohen e já tem inúmeras versões de outros artistas.
Uma das versões fez parte da banda sonora do "Shrek", interpretada por Rufus Wainright e é das mais completas.
A letra original é bastante extensa e cada versão escolhe versos diferentes.
A versão da Alexandra Burke é das curtas, com muita pena minha, porque é para mim das melhores que ouvi. Deixo-vos aqui a versão do John Cale e também a letra mais completa que consegui encontrar:
Letra: http://www.stlyrics.com/lyrics/scrubs/hallelujah.htm
Apesar de adorar a música nunca tinha prestado atenção à letra. Pode pensar-se que é uma música religiosa mas é na verdade sobre a jornada espiritual que um homem faz em busca do amor, equiparando a devoção a Deus com o amor por alguém, que se toma muitas vezes por uma conquista mas que só é verdadeiro quando há submissão, quando nos entregamos totalmente, como na religião.
E aqui ficam mais dois excertos que aparecem noutras versões:
You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah
Hallelujah etc
I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth,
I didn't come to fool you
And even though it all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Os dias dormentes
Há dias estranhos, desfocados, em que nos sentimos a viver o dia-a-dia em diferido, como um estranho que observa a nossa vida de fora.
Todos os problemas e aflições, graves e alguns mesmo decisivos, passam por nós como se fosse apenas mais um assunto trivial. Não pensamos nisso e a única resposta possível é "logo se vê". Deixamo-nos ir, acompanhamos a nossa vida na primeira fila, mas sem interesse especial, apenas como quem faz tempo à espera de algo maior.
Pessoas, amigos e familiares falam connosco de assuntos comuns, e damos por nós a olhar para eles pensando de onde conhecemos aquela cara.
O corpo está dormente, a cabeça levita por mundos perdidos, a nossa vida é tão pequenina e simples quando vista de fora, quando vista de cima, quando vista ao longe!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
O egoísmo
Entre muitas das qualidades humanas que me irritam está o egoísmo. Por mais tempo que passe neste mundo e por mais situações que conheça, há sempre actos que me conseguem surpreender.
Recentemente assisti a mais um acto destes.
Não digo que sou perfeita, todos nós temos os nossos dias de olhar apenas para o nosso próprio umbigo. Mas quando a situação tem consequências que afectam terceiros há que parar para pensar um bocadinho. Digo eu...
Como é possível que existam pessoas capazes de arrastar consigo uma multidão contrariada em direcção desconhecida, apenas para provar que estão certas (ou não....), ou pior ainda, por capricho?
Eu que sou filha única, supostamente egoísta, egocêntrica e outras coisas começadas por "ego", não consigo agir assim e fico absolutamente fora de mim quando vejo isto acontecer à minha frente. Tão fora de mim que até sou capaz de sair da minha rotina e práticas normais (que incluem não me meter no que não sou chamada) para tentar intervir e resolver a situação.
Foi o que fiz desta vez, não sei se consegui fazer a diferença ou não, é irrelevante, porque o egoísmo não interessa a ninguém.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tudo na vida é um teste
Quanto mais vivo neste mundo de adultos, mais me convenço que deviamos receber um livro de instruções aos 18 anos.
Ou pelo menos que nos convocassem a todos, estilo inspecção obrigatória para a tropa, para um seminário sobre "Conciliar a vida pessoal com tudo o resto".
Aproxima-se um campeonato do mundo, e este ano decidi voltar a treinar a sério. Mas treinar a sério na verdade quer dizer treinar em todos os pedacinhos que tenho livres, que no fundo não me permitem fazer mais que 100 flechas por dia, o que me deixa frustrada. Para ajudar, há 3 semanas que está um vento estúpido, e hoje começou a chover.
O meu emprego obriga-me a acompanhar todas as obras, e é óbvio que Agosto é o mês ideal para as fazer, menos gente, menos confusão, mais acessos, mais espaço. Com isto, quer dizer que não vou poder tirar os dias de férias que queria ter para treinar e descansar antes da viagem.
Mesmo quando não estou a acompanhar obras, o telefone não pára, não tenho tempo para o expediente normal, os papéis acumulam-se na secretária, assuntos urgentes que passam a ser secundários, a urgência vai sendo atribuída conforme as datas limite.
A minha casa parece um campo de batalha, já jantamos no quintal porque enchi as mesas de tralhas do tiro, papéis que não tenho tempo para tratar, assuntos vários que ficam para depois, projectos de bricolage adiados. Se não fosse o Homem-que-não-assina a assegurar as funções básicas de roupa, louça e comida acho que teria de ir viver com a minha mãe outra vez para sobreviver até ir para a Coreia.
Quero estar em casa, sinto que sou ingrata com o HQNA, deixo-o sozinho porque vou treinar, não vamos a lado nenhum porque tenho de tratar de material, não o ajudo na empresa porque tenho a cabeça em papa com o meu próprio trabalho ou simplesmente estou cansada demais. A ajudar a isto, o Lucas está a ficar pior, o que só me faz querer estar mais em casa, para o acompanhar. Para já nem falar da pouca atenção que dou à família.
Estou a atravessar uma crise temporal, preciso que os meus dias tenham 36 ou 48 horas. Parece que tudo e todos estão a fazer de propósito para me dificultar a vida. Ponho as culpas no trabalho, no carro, nos bancos, nas empresas de serviços e até no S. Pedro, mas a verdade é que preciso de férias e não as vou ter, e só esse facto deixa-me desorientada, fazendo com que aproveite mal o pouco tempo livre que tenho.
Nada disto me foi explicado quando me tornei adulta. Ou talvez tenha sido, ao longo de muitos anos, mas não prestei atenção...ninguem presta atenção quando se tem todo o tempo do mundo!
Mas neste mar de confusão há aspectos positivos e é a esses que me agarro todos os dias. A circunstância de voltar a treinar fez-me reencontrar amizades muito importantes, momentos de felicidade e cumplicidade entre amigos que me fazem esquecer todas as dificuldades e pensar que vou ser capaz. Também o facto de ter um namorado que aguenta todas estas ausências com um sorriso e frases como "Devias ficar mais tempo a treinar" ou "Porque não vais treinar também no domingo à tarde?" me faz sentir que tenho o Homem-Que-Mais-Gosta-De-Mim-No-Mundo (o meu pai não conta) e que de facto tenho de organizar-me para treinar bem e não o desapontar.
Apesar de não ser religiosa nem dada ao espiritual, dou por mim a pensar se isto tudo não será apenas um teste, composto por alguma entidade superior, para determinar qual a minha capacidade de sobrevivência ao caos, numa qualquer escala universal de resistência humana. Não deixa de ser verdade a questão do teste, porque acredito que todas as dificuldades são de facto uma oportunidade para mostrarmos do que somos feitos.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Sou uma sentimental
Sou daquelas pessoas que não deita nada fora. Não sei se foi a minha mãezinha que me ensinou a fazer isto, com aquilo do "guarda o que não faz falta, acharás o que é preciso", mas o facto é que guardo praticamente tudo, especialmente se me faz lembrar algo bom, nem que seja um papelinho de rebuçado só porque foi do rebuçado que estava a comer quando recebi uma boa notícia.
Lembro-me que guardei durante anos o papel de embrulho da primeira prenda que recebi do meu primeiro namorado. A prenda nem sei o que lhe fiz, mas guardei o embrulho, faz sentido... Deitei-o fora há relativamente pouco tempo, quando reencontrei o rapaz e me apercebi que se tinha tornado num estúpido.
Tenho caixas e gavetas cheias de tralhas que só servem mesmo para memórias, tenho a pulseira free-pass da viagem que fiz à Republica Dominicana com o meu pai há muitos anos, tenho as fitas do Sr. do Bonfim que já se romperam sem cumprir nenhum desejo, tenho papelinhos com desenhos e piadolas escritos em tempos de escola, enfim...tenho muita coisa.
Na caixinha que trago na mala do arco, onde guardo os consumíveis das flechas, caixinha essa que já mudou muitas vezes ao longo de 15 anos de tiro, há um objecto desses que não serve para absolutamente nada, mas que não consigo deitar fora nem tão pouco guardar numa gaveta.
Este caracol foi-me dado em tempos de treinos de júniores, numa altura em que todos os momentos eram inesquecíveis e a amizade era a única solução para o mundo. Por mais estúpido que pareça este caracol, para mim significa muito e segue-me em todos os treinos e provas.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Quero asas
A liberdade é relativa.Até que ponto somos realmente livres, se todas as nossas decisões são condicionadas por um número infindável de factores externos?
Gosto de pensar que sou livre, porque os factores que condicionam as minhas escolhas são agradáveis, bem-vindos e no fundo são aquilo por que luto todos os dias.
Vivemos em sociedade e isso só por si impõe uma série de limitações, mas vivo bem com elas e não considero uma grande afronta ter de me moldar para agradar a alguém ou a uma circunstância. Faço-o com gosto e com confiança de que o gesto me será devolvido mais tarde.
O problema põe-se quando me cortam as opções, aí sim sinto-me presa, sem liberdade, e é neste ponto que deixo de ser tolerante e adaptável.
Basicamente, isto tudo para dizer que me está a chegar a mostarda ao nariz! Hoje é que me dava jeito fazer uma à Manuel Pinho!
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
Antagonismo
Ontem, apesar de ser quinta-feira da espiga, tive de ir trabalhar à meia-noite, e saí às 2h15 de hoje. Esta manhã supostamente poderia ficar a dormitar um bocadinho mais e planeei chegar lá para as 11h.

É fatal como o destino, quando tenho um bocadinho de tempo dedicado ao descanso, acontece sempre uma qualquer desgraça que requer a minha presença. E hoje foi o quê? Começou a chover num gabinete de um manda-chuva (o que até faz sentido dito assim...)
Entrei em estado de urgência, eram 9h20 já lá estava, e como todas as sextas feiras, era um dia com milhentos problemas e complicações para resolver.
Apesar de estar a raciocinar mais lentamente e ter muito, mas mesmo muito sono, que isto das noitadas já não é assim tão fácil (os 30 não perdoam), curiosamente é nestes dias que gosto mais do meu trabalho, quando sinto que a minha presença é importante, quando sinto que resolvi um problema com sucesso, quando consigo ultrapassar as dificuldades extra naqueles dias em que o trabalho rotineiro só por si já é muito.
Em contraste, durante a viagem desta manhã, ensonada, entaramelada e outras coisas acabadas em "ada", deparei-me com um dos pormenores da vida no campo que me faz sentir pena dos "meninos da cidade", cujo único dilema é a IC19. Encontrei este simpático grupo no meio da estrada e uma senhora que claramente estava a substituir o marido na tarefa do pastoreio, dado o modo de pânico com que esbracejava, conseguindo apenas afugentar as ovelhas para todo o lado em vez de as juntar numa das bermas. Acreditem ou não, para mim, este é um dos pequenos prazeres de viver numa terreola, os imprevistos são muitos e vêm nas mais variadas formas. Para mim, ter de esperar que as ovelhas se decidam a desviar-se da via de rodagem, é um momento que dá cor à minha vida.

(já não as consegui apanhar no meio da estrada)
Tudo isto para partilhar convosco que, em dias como hoje, sinto-me uma pessoa estranha, porque vivo com emoção o stress de um trabalho exigente e ao mesmo tempo dão-me prazer as pequenas singularidades da vidinha simples e pacata do campo.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Filosofia de Vida
Quando um amigo "revolucionário" perguntou ao Homem-que-não-assina se ele era feliz com a vida de "pobre" que levava, o HQNA respondeu:
- Sim, tenho saúde. Não preciso de mais nada.
No fim de semana passado ouvi uma entrevista com o Boss AC, onde lhe perguntaram como ele se sentia com o crescente sucesso que tem tido, e a resposta foi:
- Estou vivo e com saúde, por isso estou bem, é só isso que preciso.
Apesar de eu vir para aqui chorar que trabalho muito, posso garantidamente dizer que, mesmo naqueles dias de trabalho de cão, nunca me senti tão mal como me senti neste fim de semana. Com uma gripe daquelas que parece que fomos atropelados por um TIR, ter que vir trabalhar no sábado acalmar ânimos entre homens das obras, ouvir rebarbadoras e berbequins, e no domingo ter de ir cumprir calendário na pontinha mais longe de Portugal, quando a única coisa que me apetecia era enrolar e dormir, posso seguramente afirmar o seguinte:
Que se lixe o dinheiro, o governo e todas essas coisas que dizem ser importantes, sem saúde tudo isso são "peanuts".
- Sim, tenho saúde. Não preciso de mais nada.
No fim de semana passado ouvi uma entrevista com o Boss AC, onde lhe perguntaram como ele se sentia com o crescente sucesso que tem tido, e a resposta foi:
- Estou vivo e com saúde, por isso estou bem, é só isso que preciso.
Apesar de eu vir para aqui chorar que trabalho muito, posso garantidamente dizer que, mesmo naqueles dias de trabalho de cão, nunca me senti tão mal como me senti neste fim de semana. Com uma gripe daquelas que parece que fomos atropelados por um TIR, ter que vir trabalhar no sábado acalmar ânimos entre homens das obras, ouvir rebarbadoras e berbequins, e no domingo ter de ir cumprir calendário na pontinha mais longe de Portugal, quando a única coisa que me apetecia era enrolar e dormir, posso seguramente afirmar o seguinte:
Que se lixe o dinheiro, o governo e todas essas coisas que dizem ser importantes, sem saúde tudo isso são "peanuts".
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