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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Escrita inteligente
Mas porque raio é que quando escrevo COBAIA o telemóvel teima em escrever AMACIADOR?
Repost Agri-Doce
Uma pessoa gosta de escrever e depois dá nisto, ontem era para escrever um post agri-doce sobre um assunto mas quando comecei a escrever saiu-me uma coisa profunda sobre a aprendizagem da vida. Pelo menos eu achei que era profundo...
Que mania a minha de escrever primeiro o título e depois o texto.
Bom, hoje, para armar ao pingarelho e dizer que sou muita boa nisto da literatura, já escrevi o título e vou escrever sobre o mesmo assunto, mas a bater certo com aquilo lá em cima. É todo um espectáculo de variedades este blog!
A ideia de ontem era falar de como pode ser cómica uma conversa sobre a morte, em especial quando esta se repete de 15 em 15 dias e nestas circunstâncias:
Vet - "Então como vai o Lucas?"
Eu - "Vai muito bem, cheio de apetite, muito chato de volta de nós, muito activo!"
O veterinário olha para mim, com um ar incrédulo, como se eu estivesse a mentir ou a exagerar, e eu ía jurar que ele pensa "Coitadinha, ainda não caiu em si. Está em negação." e dou graças por ter levado o Homem-Que-Não-Assina comigo para que haja mais alguém naquela sala a dizer o mesmo, para provar que eu não estou maluca. Invariavelmente, depois do meu discurso, o veterinário olha para o HQNA em busca de palavras mais sensatas.
HQNA - Sim, é verdade. Sobe para cima do balcão, anda debaixo dos nossos pés, até lhe pusemos um guizo...
Vet sorri confuso - "Esse gato vai mesmo contra as leis da medicina, vamos lá ver como estão as análises."
Aguardamos então os 10 minutos do costume pelas análises enquanto comentamos entre nós que o veterinário parece esperar sempre notícias piores.
Ele volta à sala com ar triste e anuncia "Os valores baixaram mais um bocadinho" (ou a variante "Os valores estão iguais") e em seguida relembra-nos que já passou há muito o limite dos valores normais e que com estes valores seria de esperar que ele já tivesse partido, iniciando então a conversa de quem prepara os donos para o pior.
Vet - ... continuar com a medicação e com o soro todos os dias, para lhe dar algum conforto, e...é aproveitar cada dia. Ele está a esgotar as reservas que ainda tem...e tudo isto não é muito bom para a qualidade de vida dele.
E aí eu deito por terra o argumento com um:
Eu - Ele não se importa! Àquela hora já sabe para o que vem, mas vem para o colo sozinho e durante os 10 minutos do soro até dorme.
Mais um olhar incrédulo do veterinário e mais um olhar para o Homem-Que-Não-Assina, que confirma.
A ironia aqui (e onde está o agri-doce da coisa - AHA! Viram?) é que temos uma "aula" de preparação para a partida do Lucas de 15 em 15 dias, mas os 14 dias de intervalo mostram-nos o contrário. Todos os dias nos surpreende com um dos seus actos de espertice aguda, com a sua teimosia, com a soberania sobre os outros 2 lá de casa, com tudo o que faz dele o gato especial que é.
Apesar de vermos que não consegue engordar, que os valores das análises são mesmo muito maus e a piorar, de ouvirmos o especialista a dizer que tudo indica o pior cenário a curto prazo, com termos como "fase terminal", "degenerativo" e "esgotar reservas", o que vemos todos os dias é um bicho feliz. E isso é que interessa!
A despedida é no mesmo tom:
Eu - Então até daqui a 15 dias.
Vet - Sim, se não acontecer algo entretanto.
Saimos do consultório com um misto de emoções. Tristeza por nos serem relembradas aquelas palavras pesadas, e uma pontinha de orgulho por termos surpreendido o veterinário mais uma vez com boas notícias. A conversa depois da consulta acaba sempre em risota, chegamos a duvidar se a máquina das análises não estará avariada e falamos com o Lucas como se fosse um super-herói. Um super-herói velhinho, que merece todo o carinho do mundo por todas as boas acções que praticou.
A propósito disso, está quase na altura de vestir a capa...
Que mania a minha de escrever primeiro o título e depois o texto.
Bom, hoje, para armar ao pingarelho e dizer que sou muita boa nisto da literatura, já escrevi o título e vou escrever sobre o mesmo assunto, mas a bater certo com aquilo lá em cima. É todo um espectáculo de variedades este blog!
A ideia de ontem era falar de como pode ser cómica uma conversa sobre a morte, em especial quando esta se repete de 15 em 15 dias e nestas circunstâncias:
Vet - "Então como vai o Lucas?"
Eu - "Vai muito bem, cheio de apetite, muito chato de volta de nós, muito activo!"
O veterinário olha para mim, com um ar incrédulo, como se eu estivesse a mentir ou a exagerar, e eu ía jurar que ele pensa "Coitadinha, ainda não caiu em si. Está em negação." e dou graças por ter levado o Homem-Que-Não-Assina comigo para que haja mais alguém naquela sala a dizer o mesmo, para provar que eu não estou maluca. Invariavelmente, depois do meu discurso, o veterinário olha para o HQNA em busca de palavras mais sensatas.
HQNA - Sim, é verdade. Sobe para cima do balcão, anda debaixo dos nossos pés, até lhe pusemos um guizo...
Vet sorri confuso - "Esse gato vai mesmo contra as leis da medicina, vamos lá ver como estão as análises."
Aguardamos então os 10 minutos do costume pelas análises enquanto comentamos entre nós que o veterinário parece esperar sempre notícias piores.
Ele volta à sala com ar triste e anuncia "Os valores baixaram mais um bocadinho" (ou a variante "Os valores estão iguais") e em seguida relembra-nos que já passou há muito o limite dos valores normais e que com estes valores seria de esperar que ele já tivesse partido, iniciando então a conversa de quem prepara os donos para o pior.
Vet - ... continuar com a medicação e com o soro todos os dias, para lhe dar algum conforto, e...é aproveitar cada dia. Ele está a esgotar as reservas que ainda tem...e tudo isto não é muito bom para a qualidade de vida dele.
E aí eu deito por terra o argumento com um:
Eu - Ele não se importa! Àquela hora já sabe para o que vem, mas vem para o colo sozinho e durante os 10 minutos do soro até dorme.
Mais um olhar incrédulo do veterinário e mais um olhar para o Homem-Que-Não-Assina, que confirma.
A ironia aqui (e onde está o agri-doce da coisa - AHA! Viram?) é que temos uma "aula" de preparação para a partida do Lucas de 15 em 15 dias, mas os 14 dias de intervalo mostram-nos o contrário. Todos os dias nos surpreende com um dos seus actos de espertice aguda, com a sua teimosia, com a soberania sobre os outros 2 lá de casa, com tudo o que faz dele o gato especial que é.
Apesar de vermos que não consegue engordar, que os valores das análises são mesmo muito maus e a piorar, de ouvirmos o especialista a dizer que tudo indica o pior cenário a curto prazo, com termos como "fase terminal", "degenerativo" e "esgotar reservas", o que vemos todos os dias é um bicho feliz. E isso é que interessa!
A despedida é no mesmo tom:
Eu - Então até daqui a 15 dias.
Vet - Sim, se não acontecer algo entretanto.
Saimos do consultório com um misto de emoções. Tristeza por nos serem relembradas aquelas palavras pesadas, e uma pontinha de orgulho por termos surpreendido o veterinário mais uma vez com boas notícias. A conversa depois da consulta acaba sempre em risota, chegamos a duvidar se a máquina das análises não estará avariada e falamos com o Lucas como se fosse um super-herói. Um super-herói velhinho, que merece todo o carinho do mundo por todas as boas acções que praticou.
A propósito disso, está quase na altura de vestir a capa...
Tags:
gatos,
Homem-que-não-assina,
Lucas
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Post Agri-Doce
Usamos e abusamos de palavras e chavões pela vida fora, mas só de vez em quando nos apercebemos realmente do valor de cada um(a). Muitas vezes se passa uma vida inteira dando uso a expressões que nunca se chegam a sentir na pele. E não há mal nenhum nisso, cada um tem as suas experiências e é isso que nos torna diferentes uns dos outros.
Este ano tem sido cansativo para mim, no sentido em que já aprendi o significado real de demasiadas palavras. Tive anos tão inúteis em aprendizagem, mas este está a ser realmente produtivo, talvez um pouco demais. Não sei se consigo reter tanto saber em tão pouco tempo.
Em mais uma visita ao veterinário, para acompanhar o estado do idoso lá de casa, deu-se uma conversa já habitual de 15 em 15 dias:
Vet - "Então como vai o Lucas?"
Eu - "Vai muito bem, cheio de apetite, muito chato de volta de nós, muito activo!"
Vet sorrindo - "Esse gato vai mesmo contra as leis da medicina, vamos lá ver como estão as análises."
(...)
Vet - "Os valores baixaram mais um bocadinho - (ou a variante "Os valores estão iguais") - estão muito abaixo dos valores normais, é continuar com a medicação, para lhe dar algum conforto, e aproveitar cada dia. Com os valores dele, normalmente ele já não estaria aqui, está a esgotar as reservas...
Eu - Pois...nós fazemos tudo certinho, todos os dias à noite. Damos o soro e o comprimido...
Vet - Pronto, então até daqui a 15 dias, se não acontecer algo entretanto.
E estas palavras ressoam cá dentro, dia após dia, e vão-se esbatendo ao longo dos 15 dias, confrontadas com o que os meus olhos veêm, confrontadas com um gato que continua a fazer asneiras, que continua a pedir colo, que continua mais teimoso que eu, confrontadas com a minha esperança inútil de melhoras. Felizmente de 15 em 15 dias tenho uma "aula" de reciclagem, para voltar a focar-me.
"Aproveitar cada dia"..."dar conforto"...são algumas das expressões que aprendi este ano, mas a que me tem feito mais impacto é que de facto, independentemente de saber muito bem em que situação estamos, "a esperança é mesmo a última a morrer".
Este ano tem sido cansativo para mim, no sentido em que já aprendi o significado real de demasiadas palavras. Tive anos tão inúteis em aprendizagem, mas este está a ser realmente produtivo, talvez um pouco demais. Não sei se consigo reter tanto saber em tão pouco tempo.
Em mais uma visita ao veterinário, para acompanhar o estado do idoso lá de casa, deu-se uma conversa já habitual de 15 em 15 dias:
Vet - "Então como vai o Lucas?"
Eu - "Vai muito bem, cheio de apetite, muito chato de volta de nós, muito activo!"
Vet sorrindo - "Esse gato vai mesmo contra as leis da medicina, vamos lá ver como estão as análises."
(...)
Vet - "Os valores baixaram mais um bocadinho - (ou a variante "Os valores estão iguais") - estão muito abaixo dos valores normais, é continuar com a medicação, para lhe dar algum conforto, e aproveitar cada dia. Com os valores dele, normalmente ele já não estaria aqui, está a esgotar as reservas...
Eu - Pois...nós fazemos tudo certinho, todos os dias à noite. Damos o soro e o comprimido...
Vet - Pronto, então até daqui a 15 dias, se não acontecer algo entretanto.
E estas palavras ressoam cá dentro, dia após dia, e vão-se esbatendo ao longo dos 15 dias, confrontadas com o que os meus olhos veêm, confrontadas com um gato que continua a fazer asneiras, que continua a pedir colo, que continua mais teimoso que eu, confrontadas com a minha esperança inútil de melhoras. Felizmente de 15 em 15 dias tenho uma "aula" de reciclagem, para voltar a focar-me.
"Aproveitar cada dia"..."dar conforto"...são algumas das expressões que aprendi este ano, mas a que me tem feito mais impacto é que de facto, independentemente de saber muito bem em que situação estamos, "a esperança é mesmo a última a morrer".
sábado, 22 de outubro de 2011
Decisões
Vou a 120km/h numa estrada nacional e diz o Homem-Que-Não-Assina:
- Olha mé-més! Olha a curva!
Bom, ou olho para os més ou para a curva, decide-te!
Nota: caso o leitor seja um agente da autoridade, nomeadamente da BT, isto aconteceu tudo num sonho.
Tags:
carro,
Homem-que-não-assina
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